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Jovem Pan contesta nota do MPF sobre ação que pede cancelamento de outorgas da emissora

Jovem Pan contesta nota do MPF sobre ação que pede cancelamento de outorgas da emissora

Grupo classifica medida como "reprovável" e aponta a veiculação de informações equivocadas.


Atualizado - O Grupo Jovem Pan se manifestou nesta segunda-feira (15) após o Ministério Público Federal (MPF) reforçar pedido de cancelamento de suas outorgas de radiodifusão. Segundo nota publicada pela emissora, o grupo afirma manter “plena confiança no Poder Judiciário” e que a íntegra de suas alegações finais está disponível no site da Justiça Federal, vinculada ao processo nº 5019210-57.2023.4.03.6100. Ainda de acordo com o comunicado, a Jovem Pan afirma que não comenta ações em curso, mas rebateu publicamente a divulgação feita pelo MPF, classificando-a como "reprovável" e apontando a veiculação de informações equivocadas. Associações de radiodifusão, como AESP e ABERT, emitiram notas sobre o caso.

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A emissora pontuou que não é ré em nenhuma das ações penais recentemente julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que não figurou como investigada nos inquéritos que deram origem aos julgamentos. Ainda segundo a Jovem Pan, a ação na qual figura não trata de imputações criminais e que associá-la às condenações no STF é “uma indevida tentativa de influenciar o juízo e os leitores com uma narrativa completamente dissociada dos elementos dos autos”.

O posicionamento da emissora também reitera seu compromisso com a democracia, com as instituições republicanas e com a liberdade de expressão. A nota é assinada pelos escritórios Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados Associados, Wald, Antunes, Vita, Blattner Advogados e Bermudes Advogados.

Ação do MPF

O Ministério Público Federal reforçou o pedido de cancelamento de três outorgas de radiodifusão da Jovem Pan — duas AMs e uma FM —, alegando que a emissora teria veiculado conteúdos desinformativos durante o processo eleitoral de 2022, incitado a desobediência às leis e decisões judiciais, e promovido discursos que culminaram na defesa de golpe militar e ruptura democrática.

De acordo com o MPF, a Jovem Pan teria tido “papel fundamental na campanha de desinformação” ao longo do último ano eleitoral, influenciando seus ouvintes a desacreditarem no sistema eleitoral e nas instituições brasileiras. O Ministério Público também requereu indenização de R$ 13,4 milhões por danos morais coletivos e solicitou o bloqueio de patrimônio da emissora.

A ação analisa conteúdos veiculados entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023, período que inclui o ataque aos prédios públicos em Brasília no dia 8 de janeiro. Os programas citados no processo incluem Os Pingos nos Is, 3 em 1, Morning Show e Linha de Frente.

Como argumentação de defesa, a Jovem Pan sustenta que seus editoriais condenaram atos antidemocráticos, que os comentários dos profissionais não representam a posição institucional da empresa, e que não houve campanha para deslegitimar o sistema eletrônico de votação. Para a emissora, o eventual cancelamento das outorgas seria uma medida "desproporcional".

A tramitação do processo está em fase final, com a apresentação das alegações conclusivas das partes antes do julgamento em primeira instância, na Justiça Federal.

Pedido do MPF contra Jovem Pan repete iniciativa semelhante apresentada em 2023

O novo pedido do Ministério Público Federal (MPF) que requereu o cancelamento das outorgas de radiodifusão da Jovem Pan retoma pontos já abordados em iniciativa semelhante apresentada pelo órgão em 2023. Assim como no pedido anterior, o MPF alega que a emissora utilizou sua programação jornalística para promover desinformação durante o período eleitoral de 2022 e incentivar manifestações contrárias à ordem democrática.

Diante da repercussão do caso na época, entidades do setor de radiodifusão emitiram notas oficiais manifestando preocupação com o teor da ação. ABERT, ABRATEL, ACAERT, AERP, SERT/SC e ASSERPE classificaram o pedido como uma medida extrema e defenderam a liberdade de programação como elemento essencial ao jornalismo e ao pluralismo de opiniões.

Confira a nota da Jovem Pan na íntegra

Nota à Imprensa

São Paulo, 15 de setembro de 2025 – Em resposta à nota publicada pelo Ministério Público Federal em seu site nesta segunda-feira (15), a Jovem Pan informa que não comenta ações em curso, que mantém sua plena confiança no Poder Judiciário, e que a íntegra das suas alegações finais pode ser consultada no site da Justiça Federal, mediante busca ao processo nº 5019210-57.2023.4.03.6100.

No entanto, tendo em vista a reprovável conduta adotada pelo MPF, ao divulgar informações equivocadas em seu site, a emissora se vê obrigada a prestar os necessários esclarecimentos à sociedade:

1) A Jovem Pan não é ré em nenhuma das ações penais recentemente julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, tampouco figurou como investigada em quaisquer dos inquéritos que lhes deram origem;

2) A corroborar a conduta indevida por parte do MPF, importante notar que não há, nesta ação, qualquer imputação de índole criminal, de modo que vincular a apuração destes autos às condenações criminais proferidas pelo STF, para além da ausência de técnica, é uma indevida tentativa de influenciar o juízo e os leitores com uma narrativa completamente dissociada dos elementos dos autos.

Por fim, e mantendo a coerência com o posicionamento adotado ao longo de seus mais de 80 anos de história, a Jovem Pan reitera seu compromisso com a democracia, com os Poderes e Instituições que sustentam a nossa República e com a nossa Constituição cidadã, que tem como um de seus pilares a liberdade de expressão.

Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados Associados
Wald, Antunes, Vita, Blattner Advogados
Bermudes Advogados

Confira também as notas das associações de radiodifusão AESP. e ABERT:

A Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (AESP), entidade que há nove décadas representa a radiodifusão paulista, reafirma seu compromisso incondicional com a liberdade de imprensa, a pluralidade de vozes e a preservação das concessões públicas de rádio e televisão como pilares de uma sociedade democrática.

A liberdade editorial é um direito fundamental, garantido pela Constituição Federal, e deve ser respeitada em toda sua plenitude. Eventuais divergências ou questionamentos relacionados ao conteúdo veiculado pelas emissoras devem ser tratados dentro dos marcos legais e institucionais, sem comprometer a segurança jurídica do setor nem abrir precedentes que possam fragilizar a comunicação social no Brasil.

A AESP acompanha com atenção os desdobramentos do processo envolvendo a Jovem Pan, emissora associada à entidade, e reforça a necessidade de que o debate seja conduzido com equilíbrio, responsabilidade e respeito à independência dos veículos de comunicação.

São Paulo, 15 de setembro de 2025

AESP – Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

ABERT:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) acompanha com preocupação os recentes desdobramentos da ação judicial proposta pelo Ministério Público Federal que busca o cancelamento da outorga da Rádio Jovem Pan. 

A liberdade de programação das emissoras é de fundamental importância para o livre exercício do jornalismo e para a existência do pluralismo de opinião, que devem ser sempre preservados.

O cancelamento de uma outorga de radiodifusão é uma medida extrema e grave, sem precedentes em nosso Estado Democrático de Direito.

A ABERT reitera o seu compromisso com a liberdade de imprensa e espera que o Poder judiciário afaste medidas desproporcionais e que atentem contra a comunicação social brasileira.

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Carlos Massaro

Carlos Massaro

  • Carlos Massaro – Radialista e jornalista, já atuou como coordenador artístico da Band FM de Promissão/SP e como locutor nas afiliadas da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa FM de Avaré/SP. Também trabalhou como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP, além da Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3, ambas de Ourinhos/SP. É advogado inscrito na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Está no tudoradio.com desde 2009, sendo responsável pela atualização diária da redação do portal. LinkedIn
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