Agentes de IA ampliam capacidade de trabalho e colocam “efeito rebote” em discussão no AGNTCon + MCPCon Europe
Amsterdã – Palestra da Salesforce mostra que ganhos de eficiência com agentes podem ampliar o volume de atividades realizadas pelas empresas e aponta possibilidades para rádio e televisão
A adoção de agentes de inteligência artificial pode produzir um efeito que vai além da redução do trabalho necessário para executar determinadas atividades. Ao tornar processos mais rápidos e baratos, essas ferramentas também podem permitir que empresas realizem um volume maior de tarefas, inclusive aquelas que anteriormente não eram viáveis por causa do custo ou do tempo necessário para sua execução. Essa relação entre ganho de eficiência e aumento da capacidade de trabalho foi abordada em uma palestra da Salesforce no AGNTCon + MCPCon Europe 2026 e também abre uma discussão sobre possíveis aplicações futuras em operações de rádio e televisão. A cobertura especial do AGNTCon + MCPCon Europe tem o apoio da beAudio e do tudoradio.com, realizada pela Mentoria Cristiano Stuani.
O tema foi apresentado por Axel Uhlig, da Salesforce, durante a palestra How We Reclaimed Significant Engineering Capacity with AI Agents. O executivo mostrou uma experiência de utilização de agentes em operações de engenharia, avançando sobre atividades de operação e monitoramento que vão além das aplicações mais conhecidas dos chamados coding agents, normalmente associados a etapas como planejamento, criação e verificação de software.
Uma das arquiteturas apresentadas mostrou o agente conectado simultaneamente a diferentes ferramentas e fontes de informação, incluindo Slack, Splunk, PagerDuty e GitHub, além de sistemas e bases internas. O exemplo ajuda a demonstrar uma das diferenças entre um chatbot convencional e um agente de inteligência artificial: em vez de apenas responder a uma pergunta, o agente pode receber uma tarefa, consultar diferentes sistemas, utilizar ferramentas, relacionar informações e executar uma sequência de ações antes de chegar ao resultado.
O “efeito rebote” da eficiência
Uhlig também relacionou os ganhos proporcionados pelos agentes ao chamado “efeito rebote”, conceito conhecido na economia. A lógica é que, quando determinada atividade se torna mais eficiente e barata, sua utilização pode aumentar, fazendo com que parte da capacidade liberada pela tecnologia seja direcionada à realização de novas tarefas.
No caso apresentado pela Salesforce, a redução do tempo necessário para a triagem de alertas abriu espaço para ampliar o uso do mesmo tipo de análise. Entre as possibilidades discutidas durante a palestra estavam levar o processo para ambientes de pré-produção, reduzir os limites estabelecidos para a geração de alertas e ampliar o monitoramento para um número maior de situações e clientes.
O ganho de produtividade, portanto, não significa necessariamente a criação de períodos de ociosidade para os profissionais. A capacidade liberada pode permitir que a organização realize um volume maior de trabalho ou passe a executar atividades que anteriormente não seriam economicamente viáveis.
Mais capacidade para rádio e televisão
Embora a apresentação tenha sido voltada às operações de engenharia e não especificamente ao setor de mídia, o mesmo princípio permite projetar possíveis aplicações em empresas de comunicação. Para rádio e televisão, a discussão pode avançar além da quantidade de tarefas ou profissionais eventualmente substituídos pela tecnologia e considerar quanto mais uma empresa poderá realizar quando determinadas atividades se tornarem significativamente mais rápidas e baratas.
Em uma emissora, agentes poderiam futuramente ser conectados a diferentes sistemas para auxiliar em atividades como monitoramento técnico, análise de programação, acompanhamento de informações comerciais, organização de conteúdo, processamento de áudio e vídeo e distribuição digital.
Um exemplo está na transformação da programação de rádio e televisão em conteúdos destinados às plataformas digitais. Atualmente, analisar horas de programação, localizar os principais trechos, editar conteúdos e preparar materiais para diferentes redes exige uma quantidade significativa de trabalho. Com agentes realizando parte da análise e da preparação, o resultado não precisaria ser apenas a produção da mesma quantidade de materiais com menos esforço, mas a possibilidade de ampliar significativamente o volume de conteúdos produzidos.
Uma emissora que hoje consegue transformar determinado programa em cinco conteúdos digitais, por exemplo, poderia aproveitar essa eficiência para gerar 20 ou 30 versões, explorar formatos diferentes ou desenvolver produtos que anteriormente não eram produzidos porque o custo operacional seria elevado. É justamente nesse ponto que o conceito de efeito rebote apresentado durante a palestra pode ganhar uma aplicação interessante para empresas de comunicação.
Da automação tradicional aos agentes
Essa possibilidade também ajuda a diferenciar os agentes de IA dos sistemas tradicionais de automação, tecnologia presente há décadas nas operações de rádio e televisão. De forma geral, uma automação executa ações previamente configuradas a partir de determinadas regras e condições. Os sistemas agênticos acrescentam uma nova camada, na qual a inteligência artificial pode receber um objetivo, consultar informações, utilizar diferentes ferramentas e decidir os próximos passos dentro das permissões estabelecidas pela empresa.
Essa diferença tende a ganhar importância à medida que os agentes passam a ser conectados aos sistemas utilizados diariamente pelas emissoras. A primeira fase da inteligência artificial generativa ficou fortemente associada à produção de textos, imagens, vozes e vídeos. Com os agentes, integração e execução passam a ocupar um espaço maior, especialmente quando essa inteligência consegue interagir diretamente com ferramentas que já fazem parte da operação.
Para rádio e televisão, o avanço desse modelo pode representar menos uma discussão sobre simplesmente automatizar o que já é realizado e mais sobre quais novas atividades, produtos e conteúdos passam a ser possíveis quando determinados processos deixam de representar um custo operacional elevado. Nesse cenário, o ganho proporcionado pelos agentes não estaria apenas em fazer mais rápido, mas também em ampliar a capacidade de atuação das empresas de comunicação.
